Plantas

Solo em perigo

Um mundo invisível sob nossos pés

Em um único punhado de solo, há bilhões de bactérias, dezenas de espécies de fungos, milhares de nematoides e animais como artrópodes e minhocas. Esses mundos microbianos são os alicerces da natureza – mantêm o solo saudável, abastecem nossos sistemas alimentares, ajudam a reter carbono e tornam a vida como a conhecemos possível.
Mas agora, cientistas alertam que esse universo está à beira do colapso – antes mesmo de compreendermos totalmente sua importância.

Um em cada cinco está ameaçado

Um novo estudo da Conservation International e da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) revela que uma em cada cinco espécies dependentes do solo avaliadas está ameaçada de extinção. E esse número pode ser apenas a ponta do iceberg. Das 8.500 espécies analisadas, 20% não têm dados suficientes para serem avaliadas.
A mudança no uso da terra e na química do solo – como o uso de agroquímicos – é a principal responsável.
O solo é o habitat mais biodiverso da Terra – abriga cerca de 60% de todas as espécies, produz 95% dos alimentos que comemos e pode armazenar mais de um quarto do carbono necessário para cumprir as metas climáticas globais.

A atenção científica que não enxerga o invisível

As criaturas mais fáceis de ver recebem mais atenção. Coelhos e esquilos terrestres são relativamente bem estudados, mas os fungos, bactérias e invertebrados que fazem o trabalho essencial de manter o solo produtivo permanecem quase totalmente desconhecidos para a ciência da conservação.
"Com uma marmota, você pode observá-la, marcá-la, rastreá-la", diz Neil Cox, cientista da Conservation International e autor do estudo. "Mas com fungos e invertebrados, você está lidando com milhões de organismos em um único punhado de terra – muitos dos quais nunca foram sequer nomeados."

As consequências do desconhecimento

Essa invisibilidade tem um custo. Sem intervenção urgente, o colapso da biodiversidade do solo pode desmantelar os sistemas agrícolas que alimentam o mundo e acelerar a própria instabilidade climática que os cientistas correm para prevenir.
Mudança começa na agricultura
Em todo o mundo, a Conservation International ajuda agricultores a cultivar em harmonia com a natureza. A agrossilvicultura – que combina árvores frutíferas, espécies madeireiras e plantas fixadoras de nitrogênio com culturas – aumenta a fertilidade do solo, reduz a erosão e diversifica a renda dos produtores, restaurando terras degradadas e apoiando a biodiversidade.

O que precisa ser feito

Os autores do estudo defendem:
Expandir drasticamente o número de espécies do solo na Lista Vermelha da IUCN – o parâmetro global para risco de extinção.
Tratar a conservação do solo com a mesma urgência dada a espécies como tigres, elefantes ou corais.
"A Lista Vermelha ajuda a orientar o mundo sobre o que deve ser protegido", diz Cox. "As espécies do solo sustentam ecossistemas inteiros, mas mal aparecem nela. Essa é uma lacuna fundamental em nossa compreensão da vida na Terra."

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