Plantas
10 maravilhas da Polónia
A natureza polaca surpreende pela diversidade. Poucos países europeus reúnem, num território relativamente compacto, montanhas, formações rochosas invulgares, grandes lagos, rios quase selvagens, dunas móveis, extensas zonas húmidas, florestas antigas e uma longa costa marítima.
Na Polónia, é possível atravessar uma floresta quase intocada e, poucas horas depois, caminhar por uma paisagem que faz lembrar o deserto. Há turfeiras ideais para observar aves, vestígios de antigos vulcões, rios que ainda seguem curso natural e quilómetros de costa junto ao Báltico.

Escolher apenas dez lugares entre tanta variedade não é fácil. Esta seleção permite, no entanto, descobrir algumas das paisagens e dos ecossistemas mais singulares do país.
Lago Łuknajno
Apenas 5 km separam o lago Łuknajno de Mikołajki, mas a paisagem parece pertencer a outro mundo. Ligado ao lago Śniardwy por um canal estreito, Łuknajno é pouco profundo — a profundidade média ronda os 0,6 metros — e tem vindo gradualmente a ser ocupado pela vegetação.
As margens estão rodeadas por cálamos e caniçais, enquanto o fundo é coberto por lodo e por uma vegetação aquática abundante, incluindo carófitas. Em redor encontram-se turfeiras com salgueiros e prados regularmente ceifados.
Um refúgio para milhares de aves
Łuknajno beneficia de vários níveis de proteção: é uma reserva natural, uma reserva da biosfera, uma zona abrangida pela Convenção de Ramsar e uma Zona de Proteção Especial para aves integrada na rede Natura 2000. O acesso turístico ao próprio lago é limitado, ajudando a preservar a tranquilidade necessária à fauna.
O local é particularmente conhecido pela enorme população de cisnes-mudos. Durante o período de muda das penas, podem concentrar-se no lago até cerca de dois mil exemplares.
Também é possível observar mergulhões, abetouros, patos-trombeteiros, zarros-de-bico-vermelho e diferentes aves de rapina, incluindo águias-rabalvas e águias-pesqueiras. As torres de observação instaladas em redor do lago facilitam a descoberta desta riqueza ornitológica.
A região acolhe ainda anfíbios, répteis e mamíferos, entre os quais alces e cães-guaxinins. Comparado com outros lagos da Masúria, bastante movimentados durante o verão, Łuknajno continua a destacar-se como um verdadeiro santuário de vida selvagem.
Onde fica: voivodia da Vármia-Masúria, na região dos Grandes Lagos da Masúria, poucos quilómetros a leste de Mikołajki.
Deserto de Błędów
Uma paisagem desértica em plena Europa Central parece improvável, mas existe. O Deserto de Błędów é uma das áreas naturais mais invulgares da Polónia, sobretudo porque o clima temperado da região não favorece a formação de desertos.
A sua origem está fortemente ligada à atividade humana. A exploração intensiva das águas subterrâneas e a desflorestação em grande escala, iniciada já na Idade Média, deixaram expostos cerca de 150 km² de areia. Grande parte dessa área voltou entretanto a ser ocupada por vegetação e árvores, mas permanecem mais de 30 km² de paisagem arenosa, incluindo importantes sistemas de dunas.
Um pequeno deserto cheio de vida
Toda a área está integrada na rede Natura 2000. Ambientalistas e naturalistas trabalham para preservar o caráter aberto e arenoso da paisagem, incluindo através da recuperação de zonas artificialmente florestadas no passado.
Existem cerca de 350 espécies de plantas, algumas associadas a ambientes arenosos, dunares ou de estepe. Entre elas encontram-se Carlina acaulis, Epipactis helleborine e outras espécies adaptadas a solos secos.
A área também atrai aves que preferem espaços abertos, prados e terrenos arenosos, como cotovias, poupas e alcaravões. Para os visitantes, existem vários percursos turísticos e educativos.
Onde fica: entre as terras altas da Silésia e de Olkusz, perto de Dąbrowa Górnicza.
Floresta de Białowieża
Considerada um dos últimos grandes exemplos de floresta primitiva das planícies europeias, Białowieża é um lugar excecional. Na sua zona de proteção mais rigorosa, a intervenção humana é reduzida ao mínimo e alguns exemplares de árvores atingem vários séculos de idade.
Aqui, os ciclos naturais da floresta continuam a decorrer com muito menos interferência do que na maioria das áreas florestais europeias.
O reino do bisonte-europeu
O símbolo mais conhecido de Białowieża é, naturalmente, o bisonte-europeu. Os animais vivem em liberdade na floresta e, durante o inverno, quando procuram alimento, podem aproximar-se das localidades da região.
Mas a riqueza do ecossistema vai muito além dos bisontes. Já foram identificadas mais de 12 mil espécies animais, estimando-se que muitas outras ainda estejam por catalogar. Para comparação, calcula-se que toda a Polónia tenha cerca de 35 a 40 mil espécies animais.
A importância de Białowieża também está na coexistência de uma enorme variedade de espécies em densidades relativamente reduzidas. Muitos dos invertebrados presentes dependem diretamente da madeira morta e dos seus ciclos naturais de decomposição — condições que desapareceram de muitas florestas sujeitas a exploração intensiva.
Mesmo para quem não distingue espécies de plantas ou animais, a floresta oferece uma experiência marcante. Os extensos percursos pedestres e cicláveis permitem atravessar quilómetros de paisagem florestal quase intocada.
Onde fica: região de Podláquia, junto à fronteira com a Bielorrússia, algumas dezenas de quilómetros a sul de Białystok.
Reserva Natural Pazurek
Para quem procura um lugar menos conhecido, Pazurek é uma excelente alternativa. Com quase 190 hectares, esta reserva é relativamente recente e continua longe dos circuitos turísticos mais movimentados.
Grande parte da área é coberta por um tipo valioso de floresta de faias, pontuada por abetos e bordos. Entre as árvores escondem-se espécies vegetais raras, enquanto nas encostas viradas a norte cresce vegetação típica de ambientes montanhosos.
Um pequeno labirinto de pedra
Um dos grandes atrativos são as formações rochosas de Zubowe Skały, situadas no ponto mais elevado da reserva, a cerca de 440 metros de altitude.
Estes blocos calcários assumiram formas invulgares e são uma herança de uma época, há aproximadamente 150 milhões de anos, em que a região da atual Jura polaca estava coberta pelo mar.
Corredores estreitos, paredes de pedra e pequenas grutas criam a sensação de entrar numa cidade rochosa natural. A área é popular entre praticantes de escalada, mas também pode ser explorada a pé.
Um percurso educativo e natural de aproximadamente cinco quilómetros forma um circuito que regressa ao estacionamento.
Onde fica: voivodia da Pequena Polónia, perto da aldeia de Pazurek, a poucos quilómetros de Olkusz.
Montanhas Bieszczady
A história recente das Bieszczady foi profundamente marcada pelo conflito e pela deslocação de populações. À medida que aldeias foram abandonadas, a natureza recuperou áreas anteriormente ocupadas pelo ser humano.
Foi assim que estas montanhas ganharam a reputação de serem uma das últimas regiões verdadeiramente selvagens da Polónia. Durante décadas, atraíram naturalistas, artistas e viajantes à procura de isolamento.
O crescimento do turismo trouxe estradas, alojamentos e outras infraestruturas, tornando algumas zonas bastante movimentadas. Ainda assim, basta afastar-se dos percursos mais populares para encontrar extensas áreas pouco alteradas.
Entre lobos, ursos e antigos povoados
O vale do rio San é particularmente interessante. A natureza domina a paisagem, embora ainda sejam visíveis vestígios de antigas aldeias e ruínas de pequenas igrejas.
A fauna das Bieszczady inclui mais de 230 espécies de vertebrados. Além dos veados, vivem na região ursos-pardos e lobos, bem como linces e gatos-bravos.
As zonas montanhosas mais isoladas também favorecem aves de rapina, incluindo águias-reais e diferentes espécies de águias-malhadas.
Durante os passeios, é possível encontrar víboras a apanhar sol nos caminhos. Muito mais rara é a cobra-de-esculápio, a maior serpente presente na Polónia. As salamandras-de-fogo, com as suas manchas amarelas sobre pele negra, são outro habitante característico da região.
Onde fica: parte ocidental dos Beskids Orientais, na voivodia da Subcarpácia, a sul de Sanok.
Parque Nacional Słowiński
As gigantescas dunas móveis perto de Łeba são a imagem mais famosa deste parque nacional. Mas existem outros tesouros menos conhecidos, incluindo os lagos Łebsko e Gardno.
Łebsko é o terceiro maior lago da Polónia. Há cerca de 10 mil anos fazia parte de uma baía marítima, estando hoje separado do Báltico por uma faixa de dunas e terrenos arenosos. A origem marinha ainda se reflete nas características da água.
Turfeiras, pastagens, pinhais e extensos caniçais completam a paisagem.
Do pântano ao mar num único parque
Apesar da enorme afluência de visitantes durante o verão, Słowiński continua a ser uma das regiões naturais mais interessantes do país. Numa área relativamente pequena coexistem pântanos, lagos, dunas quase desérticas, florestas e ambientes costeiros.
A caminhada pelas dunas pode ocupar um dia inteiro. Muitos visitantes seguem de Łeba até Łącka Góra e regressam à cidade, mas quem procura maior contacto com a natureza pode explorar percursos menos frequentados pela península arenosa de Łeba e pela costa em direção a Czołpino e Rowy.
O lago Łebsko pode ser observado a partir de várias torres, incluindo uma estrutura de madeira em Rąbka, apenas cerca de 6 km distante do centro de Łeba.
Onde fica: voivodia da Pomerânia, ao longo da costa entre Łeba e Ustka.
Floresta de Romincka
Conhecida por vezes como a “Taiga Polaca”, a floresta de Romincka apresenta paisagens que fazem lembrar regiões muito mais setentrionais.
O clima ajuda a explicar essa semelhança. É uma das regiões mais frias da Polónia, com uma temperatura média anual pouco superior a 6,5 °C, embora os verões possam ser surpreendentemente quentes.
As grandes turfeiras e os bosques boreais de abetos evocam paisagens da Sibéria, Kamchatka ou Alasca. Para os padrões polacos, trata-se de um habitat bastante invulgar.
Uma pequena taiga na Polónia
A vegetação reforça a sensação de estar muito mais a norte. Amoras-árticas, bétulas-anãs, plantas carnívoras e líquenes de longos filamentos fazem parte da paisagem.
Nas florestas vivem lobos, linces, veados, castores, lontras e alces. Ao anoitecer, é possível observar morcegos a caçar sobre zonas abertas. Entre as aves destacam-se águias-malhadas-pequenas, tartaranhões-dos-pauis, cegonhas-pretas e águias-rabalvas.
Romincka é também uma alternativa mais tranquila à popular região dos Grandes Lagos da Masúria. Enquanto muitas áreas lacustres sofreram fortes transformações devido ao turismo, esta zona mantém extensas paisagens praticamente selvagens.
Onde fica: voivodia da Vármia-Masúria, a leste de Gołdap.
Rio Biebrza
Frequentemente descrito como um dos rios mais selvagens da Polónia, o Biebrza e as suas zonas inundáveis atraem todos os anos milhares de amantes da natureza.
O rio não regularizado atravessa uma vasta paisagem de pântanos, turfeiras e prados. Trata-se da maior área pantanosa e turfosa da Polónia e de uma das maiores da Europa.
Um paraíso para observar animais
A região serve de refúgio a cerca de 270 espécies de aves, 48 espécies de mamíferos, cinco espécies de répteis e 12 de anfíbios, além de uma enorme diversidade de invertebrados.
A dimensão da área, o reduzido nível de transformação e a variedade de ecossistemas — florestas, pântanos, turfeiras, prados e zonas aquáticas — criam condições excecionais para a fauna.
Muitos visitantes chegam para observar aves ou procurar grandes mamíferos selvagens, sobretudo alces e lobos. Lontras e castores também podem ser encontrados no parque.
Grande parte das zonas inundáveis está protegida pelo Parque Nacional de Biebrza. Existem percursos pedestres e torres de observação, mas uma das formas mais interessantes de explorar a região é navegar pelo rio de caiaque ou numa pequena jangada.
Nas proximidades encontra-se ainda a Fortaleza de Osowiec, conhecida também pelas importantes concentrações de morcegos que ali passam o inverno.
Onde fica: voivodia de Podláquia. O Parque Nacional de Biebrza estende-se a leste de Grajewo e tem a sua sede na zona de Osowiec-Twierdza, no município de Goniądz.
Florestas de Tuchola
Um dos maiores complexos florestais da Polónia não se parece necessariamente com uma floresta impenetrável. Em muitos pontos, a paisagem é formada por pinheiros, tapetes de musgo e arbustos carregados de frutos silvestres.
Entre as árvores surgem lagos, pequenos pântanos e rios, sobretudo o Brda e o Wda. O cenário tranquilo pode enganar: trata-se de uma área enorme e relativamente selvagem, onde é fácil perder a orientação ao abandonar os caminhos principais.
Para descobrir a pé, de bicicleta ou de caiaque
As Florestas de Tuchola são ideais para caminhadas, ciclismo e canoagem. Uma extensa rede de caminhos atravessa a mata e uma descida pelos rios Wda ou Brda pode transformar-se numa aventura de vários dias.
A região conta com 17 reservas naturais. Em Bagno Grzybna encontra-se vegetação típica das turfeiras; em Czaplowisko Wysoka pode observar-se uma colónia de garças-reais; e em Cisy nad Czerską Strugą sobrevivem antigos exemplares de teixo.
A reserva Kręgi Kamienne acrescenta ainda uma dimensão arqueológica. Junto ao rio Wda encontram-se vários círculos de pedra datados do período romano. Os blocos são também importantes do ponto de vista natural, já que acolhem musgos e líquenes muito antigos — especialistas identificaram mais de 50 espécies.
Onde fica: nas voivodias da Pomerânia e da Cujávia-Pomerânia, sobretudo nas bacias do Wda e dos cursos médio e superior do Brda.

Terra dos Vulcões Extintos
Atualmente, a região de Kaczawy é uma das paisagens mais pitorescas da Polónia. Há milhões de anos, porém, o cenário era muito diferente.
Centenas de vulcões expeliam magma, rochas, fumo e cinzas sobre o território que hoje corresponde à Baixa Silésia. Os vestígios desse passado podem ser descobertos ao longo do Trilho dos Vulcões Extintos, com cerca de 85 quilómetros entre Jawor e Wleń.
Uma viagem ao passado vulcânico
Diabásios, pórfiros, basanitos e meláfiros revelam a antiga atividade magmática. Ao longo do percurso podem observar-se marcas deixadas pela cristalização da lava, campos de blocos basálticos e antigas chaminés vulcânicas.
Um dos pontos mais impressionantes é Ostrzyca Proboszczowicka, com 499 metros de altitude. O seu cone extremamente regular valeu-lhe a alcunha de “Fuji polaco”.
Outro local marcante é Wilcza Góra, parcialmente desmontada pela exploração de pedra. A atividade mineira acabou por expor o interior de uma antiga chaminé vulcânica, permitindo observar a sua estrutura e a chamada “rosa de basalto”, formada por colunas de pedra dispostas numa configuração semelhante a uma estrela.
O Trilho dos Vulcões Extintos oferece assim uma oportunidade rara de descobrir, à superfície, as marcas de um passado geológico que transformou profundamente esta região da Polónia.